Nota em solidariedade à Rita von Hunty

O Coletivo LGBT Comunista vem a público prestar solidariedade à Rita Von Hunty (drag queen de Guilherme Terreri), que tem sido vítima de ataques em grandes proporções, principalmente no Twitter, após dar a declaração de que, na atual conjuntura, devemos apoiar candidaturas mais radicais, sem recuos programáticos.

Rita tem sido atacada através de discursos oportunistas e de táticas de terror eleitoral. Na ocasião de sua declaração, disse que no lançamento da pré-candidatura da chapa Lula e Alckmin, do PT-PSB-PV-Rede-Solidariedade-PSOL-PCdoB, o petista não se declarou e não firmou compromisso contra as contrarreformas liberais que assolam nosso país desde 2016. Não é mentira. Pelo contrário, a chapa encabeçada pelo PT não se compromete em barrar os retrocessos econômicos, sinalizando à direita a possibilidade de construção de um novo pacto social de conciliação de classes, ainda mais rebaixado do que o que foi estabelecido em 2003 a partir da “Carta ao povo brasileiro”.

Rita também apresentou as pré-candidaturas de Sofia Manzano (PCB), Leonardo Péricles (UP) e Vera Lúcia (PSTU) como alternativas radicais ao pacto da social-democracia na frente ampla. A partir disso, foi acusada de “brincar de radical” em decorrência de “seus privilégios”, sob a justificativa de que “quem tem fome tem pressa”. 

Esse discurso oportunista tem por objetivo ensejar que qualquer pessoa que não aceite uma agenda recuada de Lula – agenda essa sem compromisso com a superação das “responsabilidades fiscais”, com a superação da violência de Estado que dizima a população pobre e preta desse país, com a revogação integral da Contrarreforma Trabalhista, com as Reformas Agrária e Urbana, entre outros – precise estar em posição de conforto. Isso não passa de uma falácia que tenta, ao mesmo tempo, desmerecer os partidos revolucionários e qualquer pessoa que concorde com seus programas políticos. 

Estivemos construindo, desde o primeiro momento de eleição do governo Bolsonaro-Mourão, mobilizações de massa e buscando unidade de ação contra a eleição cheia de vícios que os colocou lá, pois a população brasileira não tem condições de esperar pleitos eleitorais para ter suas necessidades atendidas. Por isso, não se trata de uma posição de “privilégio”, mas exatamente do contrário: entender que não dá para esperar eventualmente até outubro para digitar dois números em uma urna, e até janeiro para o candidato assumir, para que a classe trabalhadora consiga ter o que comer.

Entregar à nossa classe a ilusão de que com Lula assumindo o Planalto o “Brasil será feliz de novo”, é prometer algo que estará para além da própria agenda de governo defendida pela chapa petista. As políticas econômicas para o Brasil definidas pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional devem ser superadas uma a uma, rompendo com a agenda neoliberal. Para isso, o compromisso a ser firmado é com as bases trabalhadoras no campo e na cidade, no morro e no asfalto; jamais com partidos fisiológicos, políticos de carreira e com a burguesia.

Não é através da intimidação que os debates políticos devem ser construídos. A crítica política – que não pode ser confundida com ataques pessoais ou cerceamento de posicionamentos – dentro da esquerda não só deve ser tolerada como estimulada. Por isso, o Coletivo LGBT Comunista reitera a solidariedade à fala de Rita von Hunty e à sua pessoa, que sempre que possível está construindo espaços conosco, e reforça a necessidade de se ter um programa político independente. 

Pela construção do poder popular, rumo ao socialismo!

Coordenação Nacional do Coletivo LGBT Comunista

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